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Alckmin prega volta às origens e Doria, renovação, em convenção do PSDB

Encontro acontece em momento no qual os tucanos trocam de direção e repensam futuro da sigla

Líderes do PSDB participam de convenção estadual do partido na Assembleia Legislativa, em São Paulo. Foto: Carolina Linhares/Folhapress

Publicado às 9h50

Folha de SP

Com o governador João Doria pregando renovação e o ex-governador Geraldo Alckmin defendendo a volta às origens e o combate a modismos, o PSDB elegeu Marco Vinholi (PSDB), 34, novo presidente do partido em São Paulo.

Num momento em que os tucanos trocam a direção e pensam o futuro da sigla, os líderes defenderam o liberalismo e as políticas sociais, mas deram peso diferente ao legado e à juventude da sigla.

“O PSDB mais do que nunca, a partir de agora, deverá ser o partido da juventude, dos jovens, das novas ideias, daqueles que sabem respeitar os cabelos brancos. Esses mesmos cabelos brancos que vão abraçar os jovens e estimulá-los”, discursou o governador Doria na convenção estadual do partido neste domingo (5).

Doria exaltou os jovens tucanos que assumem protagonismo na condução do partido —todos aliados do governador, que expande seu domínio sobre o PSDB. Além de Vinholi, ex-deputado e secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Fernando Alfredo assumiu o PSDB municipal, Cauê Macris se reelegeu presidente da Assembleia Legislativa, e Bruno Araújo (PE), presente na convenção, já foi saudado por todos como novo presidente nacional do PSDB. A eleição para o cargo será no fim deste mês.

Em contraposição, Alckmin, que é o atual presidente do PSDB, fez um discurso voltado às origens do partido, relembrando sua fundação e citando Mário Covas. “Nós devemos hoje voltar à nossa história, aos nossos princípios, aos nossos valores, à origem que fez o PSDB existir. Por que criaríamos mais um partido? Já tem tantos. Para manter o establishment? Para defender gente rica?”, questionou o ex-governador.

Alckmin também teceu críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), de quem Doria se aproximou desde a campanha. “A gente vê um clima de ódio, é o PT ao inverso, o nós contra eles, a intolerância”, disse. O tucano defendeu o estatuto do desarmamento e foi aplaudido: “Quem mata bandido mata também gente que é inocente”.

Doria, por sua vez, condenou o populismo. “Para os extremos, seja o da esquerda, seja o da direita, nós não queremos populismos em nenhuma das pontas. A nossa posição de centro é a posição liberal, do trabalho que engrandece”, disse.

Doria e Alckmin travaram um embate em relação à mudança de nome do PSDB, algo que o governador aventou, mas que o ex-governador é contra.

“Hoje nós vivemos modismos. Está em moda mudar de nome, como se mudar de nome tornasse um partido melhor ou pior. É acessório. Nós temos é que fortalecer aquilo que fez a origem do PSDB, que é a social-democracia”, afirmou.

Em entrevista à imprensa, Doria afirmou que a pesquisa que encomendou sobre o partido, a ser entregue em junho, é que vai dizer se a mudança de nome é necessária. “Ninguém é obrigado a concordar com tudo, quem vai emitir a opinião é a pesquisa.”

Aos jornalistas, Doria defendeu um “partido mais digital e menos analógico, mais sintonizado com a realidade e não apenas com o seu passado”. “Respeitar o passado, mas não ficar preso a ele”, completou.

​Vinholi seguiu a linha do seu aliado ao pregar um PSDB que “valoriza seu legado”, mas “tem coragem para olhar pra frente”. Outro que falou em coragem de olhar para frente foi Bruno Araújo. “Nós vamos juntos, não inventar um novo partido, nós somos o PSDB, mas nós vamos nos inovar, olhar para frente e dizer o que deve ser dito, mesmo que em alguns momentos não tenhamos a maioria na sociedade”, disse.

Os líderes tucanos também pregaram uma reconexão com a sua militância, após a derrota de Alckmin na eleição presidencial com menos de 5% dos votos —a pior marca do partido. “Todos os partidos estão enfraquecidos, inclusive o nosso. É momento de nós refletirmos se estamos no rumo certo. As eleições são circunstanciais; a história, os valores e os princípios são permanentes”, disse Alckmin.

O ex-governador bateu na tecla das políticas sociais e de um Estado que proteja os mais pobres. “Partido precisa ter menos palácio e mais rua, estar mais perto do povo”, disse, destoando dos jovens líderes, inclusive Doria, que deram mais peso ao livre mercado e à desestatização —mas sem descartar a social-democracia.

Alckmin e o senador José Serra, também do quadro histórico do partido, defenderam o parlamentarismo numa convenção em que a militância saudou Doria como o próximo presidente do Brasil.  O governador paulista terminou seu discurso elogiando Ayrton Senna, “que acelerou o Brasil” e, com a música símbolo do piloto ao fundo, pregou “coragem para acelerar”.

​Líderes tucanos destacaram Alckmin como honesto num momento em que o ex-governador teve os bens bloqueados pela Justiça numa ação sobre repasses não declarados da Odebrecht para sua campanha de 2014. “Não é justo ver uma pessoa que se dedicou 14 anos ao governo do estado, que sai com mesmo patrimônio que entrou, ver suas contas bloqueadas pela Justiça”, disse o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

Em sua fala, Covas ainda afirmou que o principal desafio dos novos dirigentes é manter a união do PSDB. “Na aritmética tucana não tem divisão, só adição”, declarou, sendo seguido por outros nomes, como Vinholi e Doria, na defesa de um partido coeso e coletivo.

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