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Bolsonaro demite Vélez do MEC e anuncia Abraham Weintraub no lugar

Há duas semanas, especulações sobre sua demissão já movimentavam o MEC; desde o começo de sua gestão, Vélez enfrentou crises na pasta

Bolsonaro e Vélez: desde que assumiu a pasta, havia diversas críticas em relação a sua atuação. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Publicado às 13h

Exame

O presidente Jair Bolsonaro demitiu nesta segunda-feira (8) Ricardo Vélez Rodríguez do Ministério da Educação.

Ele vinha sofrendo críticas dentro e fora do governo e pressões diversas desde que assumiu a pasta em janeiro deste ano.

Há cerca de dois meses, Vélez vinha perdendo força diante de disputas internas entre grupos adversários, medidas contestadas, recuos e quase vinte exonerações.

Na sexta-feira (5), em um explícito processo de “fritura pública” do auxiliar, Bolsonaro afirmou que o ministério “não estava dando certo”.

“É uma pessoa bacana, honesta, mas está faltando gestão, que é uma coisa importantíssima. Vamos tirar a aliança da mão esquerda e pôr na mão direita ou na gaveta”, afirmou na ocasião.

Segundo o presidente, quem assumirá seu lugar na pasta é Abraham Weintraub. Ele é economista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e já trabalhava no governo, como secretário-executivo da Casa Civil.

“Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao Prof. Vélez pelos serviços prestados”, escreveu o presidente em sua conta no Twitter.

Em nota enviada à imprensa, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que Weintraub ” é um homem com uma solida formação”.

“Ele foi uma das pessoas que muito cedo acreditou na candidatura de Jair Bolsonaro. Foi, junto com muitas outras pessoas, um dos formuladores do plano de governo de Bolsonaro e é uma pessoa muito importante nas tomadas de decisões de rumo do nosso governo”, disse Onyx.

Para Claudia Costin, professora da FGV e ex-secretária municipal da Educação do Rio de Janeiro, agora é preciso focar nos desafios principais da educação no Brasil.

“O que o MEC mais precisa agora é de paz. Parar disputas e paralisia e começar a operar a política educacional que tem várias urgências — e a maior delas é melhorar a qualidade do ensino, além da formação do professor e a atratividade desta carreira”, diz.

Conflitos com Vélez

Há quase um mês, especulações sobre sua demissão já movimentavam o MEC. Em fevereiro, já imerso em críticas, o ministro foi desautorizado a nomear integrantes da sua própria equipe.

A ordem partiu do Palácio do Planalto, depois de o professor colombiano divulgar que havia escolhido dois nomes para a secretaria executiva da pasta.

No dia 27 do mês passado, a jornalista da GloboNews Eliane Catanhêde anunciou em seu Twitter que o presidente havia decidido demitir Vélez.

No mesmo dia, também via rede social, Bolsonaro desmentiu a informação, que ele caracterizou de “fake news”.

Já o mês de março foi especialmente tumultuado para Vélez, com notícias diárias de confusões e medidas criticadas.

Nesse momento, surgiram as primeiras disputas internas entre o grupo militar, os de perfil técnico (vindos de São Paulo) e os chamados “olavistas”, seguidores do escritor Olavo de Carvalho, considerado guru dos bolsonaristas.

Vélez demitiu alguns integrantes desse grupo mais ideológico, mas demonstrou sua fraqueza ao ser forçado a mandar embora seus aliados, o então secretário-executivo Luiz Antonio Tozi e o militar Ricardo Roquetti.

Crises diárias

Desde o início de sua gestão, Vélez, que é colombiano naturalizado brasileiro, foi criticado pela falta de articulação para conter o conflito entre alas militaristas, técnicas e olavistas dentro do Ministério.

Nesse clima de instabilidade, 17 pessoas foram demitidas nas últimas semanas, entre elas, o presidente do Inep – órgão responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pelo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

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