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Briga em partido gera troca em secretaria de Habitação de Covas

Pasta chefiada por Aloisio Barbosa era investigada por folha de pagamento paralela em empresas

Aloísio Barbosa Pinheiro, que deixou a pasta de de habitação da cidade de São Paulo. Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

Publicado às 8h55

Folha de SP

A gestão Bruno Covas (PSDB) exonerou, nesta quarta-feira (1º), o secretário municipal da Habitação, Aloisio Barbosa (PRB).

Ligado à Igreja Universal, ele foi um dos responsáveis pela formação de uma folha de pagamento paralela, com cargos para correligionários, parentes de funcionários e fiéis da entidade religiosa em empresas prestadoras de serviços. O assuntou virou alvo de investigação pela CGM (Controladoria Geral do Município).

O novo secretário será João Siqueira Farias, também do PRB, que era secretário-adjunto de Barbosa e havia sido exonerado neste ano. Farias discordava de métodos da gestão de Barbosa e havia pedido a demissão de uma das servidoras responsáveis pela indicação de aliados nas empresas —a exoneração dela foi revertida e a situação do então adjunto se tornou insustentável.

Desde quando Farias foi exonerado, há dois meses, o PRB está em uma guerra interna pelo comando da pasta. Oficialmente, o secretário pediu para sair.

A troca de secretários acontece na data em que se completa um ano do desabamento de edifício no largo do Paissandu, uma das grandes tragédias recentes da cidade. Ocupado irregularmente por sem-teto, o Wilton Paes de Almeida desabou na madrugada de 1º de maio de 2018, deixando 7 mortos e 291 famílias desabrigadas.

Desde então não foram tomadas medidas de grande impacto pela secretaria de Habitação municipal. Após vistoria de 71 prédios nos meses que se seguiram à tragédia, a prefeitura interditou cinco deles que apresentavam riscos consideráveis de acidentes. Três deles já se encontram totalmente ou parcialmente ocupados.

Reportagem da Folha mostrou que, um ano após o ocorrido, sobreviventes da tragédia estão vivendo nas ruas, em outras ocupações ou em casas improvisadas distantes do centro da cidade.

As 291 famílias que comprovaram que moravam no edifício vinham recebendo do governo do Estado um benefício de R$ 400, que agora passará a ser pago pela prefeitura até a entrega de residências definitivas para eles. No entanto, não há uma previsão de quando isso acontecerá.

A gestão Covas planejava construir habitações sociais no terreno onde ficava o prédio e já havia alinhado um acordo com a União, proprietária da área, para que isso acontecesse. No entanto, foi surpreendida pela decisão da atual administração federal, comandada por Jair Bolsonaro (PSL), de não transferir o terreno e colocá-lo à venda.

Em nota sobre a troca de secretários, a prefeitura disse que “o prefeito Bruno Covas agradece o trabalho de Aloísio e está certo que João Farias, que já atuou como titular na pasta de Esportes e adjunto da própria Secretaria de Habitação, vai exercer com competência o novo desafio”.

Ressaltou, ainda, que “as mudanças de cargos de confiança são normais dentro da administração e prerrogativa de seus gestores.”

FOLHA DE PAGAMENTO

O prefeito Bruno Covas determinou que se apure ilegalidade na folha de pagamento paralela.

“Pedi ao corregedor para que averigue essa situação, se há alguma ilegalidade, se há alguma ação a ser feita do ponto de vista jurídico”, afirmou Covas, após um evento na zona sul.

Em nota, a Controladoria afirmou que realiza “nos contratos emergenciais de empresas que prestam serviços para a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), conforme determinação do prefeito, e seu resultado será publicado assim que concluído o trabalho, para adoção das medidas corretivas e sancionatórias cabíveis”.

 

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