Notícias e informações relevantes para os moradores da região noroeste da cidade de São Paulo

Com baixa vacinação de jovens, governo faz apelo por parceria com escolas

Ministério quer ação nas redes sociais contra mitos e 'fake news' sobre vacinas

Meninas com idade de 11 a 13 anos sendo a vacinadas contra o HPV na Casa do Adolescente, em Pinheiros. Foto: Robson Ventura/Folhapress

Publicado às 9h

Folha de SP

Diante das baixas coberturas de vacinação de adolescentes, o Ministério da Saúde fez um novo apelo às escolas para tentar retomar a parceria na aplicação de doses contra HPV e meningite C e anunciou uma campanha de “esclarecimentos” sobre a vacina.

A ideia é lançar um vídeo convocando cerca de 10 milhões de adolescentes a se vacinarem e aumentar a atuação nas redes sociais contra mitos e notícias falsas relacionadas ao tema.

“O que é colocado nas redes sociais são informações sem evidência científica, mitos que acabam circulando de forma mais forte”, afirma a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues. “Queremos combater [esse mitos e notícias falsas] com informações verdadeiras”, relata.

Desde que passou a ser ofertada no SUS, há quatro anos, a vacina contra o HPV tem mantido baixos índices de adesão entre adolescentes, público que costuma ser mais resistente a procurar as unidades de saúde.

Atualmente, apenas 48,7% das meninas de 9 a 14 anos, a quem a vacina é recomendada, já tomaram as duas doses necessárias para proteção. Se considerada apenas a primeira dose, o índice é de 79%.

A meta, porém, era atingir ao menos 80% do público-alvo –parâmetro ideal para a estratégia ter sucesso como política pública.

Entre os meninos de 11 a 14 anos, outro público ao qual a vacina passou a ser ofertada no ano passado, a adesão à vacina também tem sido baixa: apenas 43,8% já tomaram a primeira dose.

Para o ministério, pesam nesse cenário tanto mitos e boatosdisseminados sobre a vacina quanto a dificuldade em imunizar adolescentes, problema também registrado em outros países.

“É um público que dificilmente conseguimos levar aos postos de saúde, nem sozinhos nem acompanhados pelos pais”, afirma o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Segundo ele, a pasta pretende agora fazer uma nova tentativa de retomar a parceria com as escolas para ofertar a vacinação. A ideia é aumentar a pressão sobre prefeituras e pedir apoio ao Ministério da Educação para organizar a programação junto às escolas.

Desde o ano passado, a pasta também mantém o programa Saúde na Escola, que prevê que diretores verifiquem a atualização da caderneta vacinal dos alunos.

“Faço um apelo aos diretores de escolas para que faça programação com a unidade de saúde do seu bairro para que possamos fazer esse trabalho”, afirmou.

Essa, porém, não é a primeira vez que o governo anuncia que pretende voltar a ofertar a vacina nas escolas. Questionado, Barros admite que houve menor adesão no ano passado, mas atribui a dificuldade em retomar a parceria ao fato do programa Saúde na Escola ter sido firmado após o início do ano letivo.

MENINGITE C

Além da vacinação contra o HPV, a ideia é que escolas e unidades de saúde reforcem a campanha para imunização de adolescentes de 11 a 14 anos também contra a meningite C.

No ano passado, foram vacinados 2,3 milhões de adolescentes de 12 e 13 anos contra a doença —o público-alvo, no entanto, era de 7,2 milhões.

A partir deste ano, a vacina passa a ser ofertada também para meninos e meninas e 11 a 14 anos, daí os cálculos que apontam a necessidade de vacinar até 10 milhões de adolescentes.

A medida segue mudança anunciada em 2017, quando a pasta alterou o esquema de vacinação contra a doença, incluindo a oferta de uma dose de reforço também na adolescência.

Antes, a vacina era indicada apenas para crianças, com uma dose aos três meses, outra aos cinco meses e um reforço de 12 meses a até 4 anos.

Segundo o ministério, a oferta de uma dose extra ocorre após estudos apontarem que, com o passar dos anos, a proteção tende a diminuir daí a necessidade de manter a imunização por meio de uma dose extra.

Deixe uma mensagem

Seu e-mail não será publicado.