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Gestão Covas retoma projeto de Haddad para Vale do Anhangabaú; obra deve acabar em 2020

Revitalização custará R$ 80 milhões e manutenção deve ser realizada pela iniciativa privada

Vale do Anhangabaú. Foto: Folhapress

Publicado às 9h30

Folha de SP

Os tapumes, ainda tímidos, começam a ocupar o Vale do Anhangabaú e antecipam para quem passa pelo centro da capital paulista o início da obra que vai instalar jatos d’água, quiosques, árvores e cadeiras no local, anunciada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) nesta segunda-feira (10).

A proposta de reforma foi feita na gestão do petista Fernando Haddad, num projeto de revitalização que começou a ser desenhado em 2013 e tinha previsão de ficar pronto em 2016.

Com três anos de atraso, Covas diz que vai seguir o modelo original e estima novo prazo para junho de 2020. Segundo o secretário de Urbanismo, Fernando Chucre, parte das mudanças ficarão prontas ainda no primeiro trimestre do ano que vem, a tempo de servir de palco para a Virada Cultural.

“O projeto vem da administração passada e não tinha sentido jogá-lo no lixo. O objetivo é que o Anhangabaú deixe de ser um espaço de passagem e se torne um ambiente de convivência”, diz Covas.

O enterramento da rede de energia e de telecomunicações é o primeiro passo. Depois, degraus devem dar lugar a um novo piso, de superfície uniforme e acessível, para melhorar a circulação de pedestres.

Nos dias de calor, 850 pontos com jatos d’água no chão vão refrescar os passantes, numa referência ao córrego Anhangabaú que corria ali até 1906, quando foi canalizado. O projeto também prevê 1.500 lugares para sentar, entre bancos e cadeiras, além de bebedouros, sanitários, quiosques de comércio, floriculturas e uma ludoteca —lugar que incentiva a aprendizagem através de objetos lúdicos. A prefeitura vai plantar 125 novas árvores e instalar mais de 350 pontos de iluminação.

A obra terá custo de R$ 80 milhões e a prefeitura deve conceder a manutenção dos equipamentos à iniciativa privada.

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Uma grande “área molhada” com fontes ocupará o centro do vale, concentrando os pedestres nas laterais do espaço. Foto: Divulgação

“Estamos estudando quais os modelos de concessão que poderiam ser adotados, principalmente para a manutenção do equipamento, considerando que ele pode ser utilizado para a realização de eventos, tem pequenas edificações que podem ser exploradas comercialmente e, no entorno, tem uma série de equipamentos públicos que poderiam ser concedidos”, afirma Chucre.

Segundo Covas, a revitalização, a concessão e o espelho d’água que obstrui a área livre não vão tirar a principal característica do Vale do Anhangabaú, que além de playground de skatista e dormitório de sem-teto, já foi palco da passeata das Diretas Já, em 1984, com 1,5 milhão de pessoas, e de eventos díspares como aulas do Movimento Passe Livre e a formatura de oficiais da PM.

“O Vale vai seguir sendo um espaço de manifestação cultural e política”, afirma o prefeito.

A reforma da região é um dos 34 projetos de requalificação do centro, com algumas obras previstas para serem entregues até 2020, ano eleitoral em que Covas deve disputar a cadeira da prefeitura. Entre elas, a dos parques Augusta e Minhocão.

Também a reforma dos calçadões do Triângulo Histórico —entre as ruas Benjamin Constant, Boa Vista e Líbero Badaró—, a revitalização do Largo do Arouche e da Praça Roosevelt, e a concessão da cobertura do edifício Martinelli à iniciativa privada.

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