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Nascida na periferia, nova deputada se formou em Harvard e motiva jovens em Pirituba

Tabata Amaral (PDT) esteve nesta sexta-feira no Instituto Federal de São Paulo da região noroeste e falou com jovens a respeito de sonhos e suas próximas lutas na área política

A deputada federal Tabata Amaral recebeu mais de 200 mil votos. Foto: Gabriel Cabral

Publicado às 19h

Por Gabriel Cabral

A partir de 2019, a Câmara dos Deputados de Brasília, no Distrito Federal, terá diversos novos políticos na ocupação de suas cadeiras. Entre elas, promete trazer muito orgulho ao Estado de São Paulo a paulistana Tabata Amaral (PDT), de apenas 24 anos. Ela se formou pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e foi expressivamente eleita como deputada federal por SP com 264.450 votos. A jovem esteve nesta sexta-feira, 27 de outubro, no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) – Campus Pirituba, para uma palestra direcionada a alunos e professores da região.

Tabata Amaral nasceu na Vila Missionária, bairro periférico e carente da zona sul da capital. Sua mãe é diarista e o pai – já falecido – foi cobrador de ônibus. Desde os 12 anos, a jovem conquistou, através de estudos e muita força de vontade, mais de 30 medalhas em concursos de matemática, física, química, informática, astronomia, robótica e linguística.

Durante a palestra, a paulistana focou em questões como educação, desigualdade social e sonhos. Questionou quais eram os maiores desejos de cada jovem que estava na sala. “Para falar sobre sonhos, precisamos falar sobre educação”, disse. Tabata contou um pouco a respeito da sua trajetória de vida, desde a falta de perspectiva educacional de si mesmo, de seus pais, de seu irmão e vizinhos até o momento que a fez perceber o quão podem ser diferentes as realidades das pessoas de uma mesma cidade de acordo com o bairro ou sua classe social. “Quem nunca teve acesso à educação não vai valorizá-la”, disse a jovem ao relembrar a frase de seu irmão que a incomodou e gerou ainda mais desejos de mudanças.

Trouxe dados, falou sobre analfabetismo e analisou a questão educacional não só da cidade de São Paulo, como também de outros Estados e municípios do país. “Não tem como mudar a educação sem mudar a política”, disse a jovem, que afirmou se incomodar com a falta de representatividade no poder público eleito, principalmente no que tange mulheres, negros e pobres. “Nós não podemos deixar a política só com os políticos”, disse.

Ao fim de sua fala, Tabata abriu a palavra para o público. Ingrid Nicastro, 24, é professora de inglês e moradora de Pirituba. Ela questionou Tabata sobre o Movimento Mapa Educação e a importância de movimentos suprapartidários voltados à área educacional, que lutam pela melhoria do ensino público no Brasil. “A parte mais legal do Mapa Educação e do Movimento Acredito é que eles não estão relacionados a um partido específico”, contou a nova deputada federal. “Levamos jovens para Brasília e para faculdades para que eles aprendam formas de se organizar. Há maneiras democráticas e efetivas da gente lutar pela mudança”.

Eleição e representatividade

A Folha Noroeste entrevistou a jovem após o evento. Ela foi a segunda mulher mais votada para o cargo federal em São Paulo e a sexta no ranking geral paulista, entre homens e mulheres. Tabata explica que conquistou uma votação tão expressiva não só através das redes sociais, mas também com ações pelas ruas. “Quando eu estava na rua conversando com as pessoas, ninguém nem sabia qual faculdade eu havia feito, o que era Harvard ou astrofísica, mas elas se importavam com o fato de que eu conhecia a realidade da periferia. Uso o Sistema Único de Saúde (SUS), não tenho convênio, estudei em escola pública, ando de ônibus. As pessoas sentem falta disso na política”, disse. “Também falavam muito sobre eu não ser radical, de não ficar em polarizações e sim falar de propostas, porque o radicalismo no Brasil é ruim entre muitas coisas porque você não fala de propostas.”

Tabata também comemorou o aumento de mulheres nos cargos políticos públicos do país, apesar de lamentar quão baixo o número é. “A falta de representatividade não é só da mulher, mas também de quem vem da periferia, do negro, do jovem. Estamos começando a ver que é possível ocupar este espaço. A representatividade importa muito. A morte de Marielle Franco [vereadora carioca do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL – assassinada em março de 2018] inspirou muita gente a se candidatar, principalmente quando falamos de mulheres que estão lutando”, afirmou. “Começamos uma mudança que dificilmente será revertida”, comemora a paulista.

Primeiros passos

Entre os primeiros passos que Tabata Amaral promete dar em Brasília, estão a luta para a renovação e debate a respeito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que vence no próximo ano. Ela também quer estar nas comissões de Educação e da Mulher. “Falamos sobre uma proposta de Reforma Política, de Reforma da Previdência mais justa e de empreendedorismo, principalmente pensando no dono da ‘vendinha’ e da padaria. Também quero trazer uma proposta de segurança sem chegar ao radicalismo”, falou a deputada, que saiu da palestra aplaudida e admirada pelo público, com quem conversou e tirou fotos.

Veja abaixo uma entrevista dada à GloboNews e fotos da passagem da cientista social por Pirituba.

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