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PM que matou carroceiro em Pinheiros é indiciado por homicídio doloso

Caso foi encaminhado à Justiça e soldado deve ir a júri popular. Ricardo Nascimento, 39, foi morto com dois tiros no peito em julho de 2017

Foto: Reprodução/TV Globo

Publicado às 12h50

G1 São Paulo

A Polícia Civil indiciou por homicídio doloso, quando há intenção de matar, o soldado da Polícia Militar José Marques Madalhano, que matou um carroceiro em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, em 12 de julho de 2017. O caso foi encaminhado à Justiça, o policial deve ir a júri popular e pode ser condenado a pena de 6 a 20 anos de prisão.

Ricardo Nascimento, 39, levou dois tiros à queima roupa na Rua Mourato Coelho, perto da Rua Teodoro Sampaio. Testemunhas que viram a ocorrência disseram que o morador estava alterado e segurava um pedaço de madeira. “Baixa o pau, baixa o pau”, teria dito o policial, segundo Maria do Socorro. Em seguida, o policial disparou duas vezes na altura do peito do homem, que caiu. Um vídeo registrou o momento em que o carroceiro foi baleado.

Para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga homicídios cometidos por policiais, o soldado foi indiciado por três motivos:

  • Havia superioridade numérica dos policiais em relação ao carroceiro: eram dois policiais armados contra Ricardo
  • O soldado José Madalhano estava com cassetete e spray de pimenta e não usou o armamento menos letal
  • Os dois disparos foram dados no peito da vítima

O soldado está afastado das ruas desde o homicídio e atua internamente em um batalhão de Araçatuba, no interior de São Paulo.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP), afirmou que “o policial citado pela reportagem realiza serviço de guarda no quartel. o indiciamento foi feito diante dos elementos de prova coletados durante investigação realizada pelo Departamento Estadual de Homicídios de Proteção à Pessoa (DHPP) . O caso foi encaminhado ao fórum em janeiro de 2019”.

O soldado ainda não constituiu advogado.

Carroceiro morto pela PM. Foto: Arquivo Pessoal

Caso

A reportagem do G1 ouviu os tiros que mataram o carroceiro Ricardo Nascimento por volta das 18h de 12 de julho de 2017. Testemunhas que viram a ocorrência disseram que o morador estava alterado e segurava um pedaço de madeira. “Baixa o pau, baixa o pau”, teria dito o policial, segundo Maria do Socorro. Em seguida, ao fazer um movimento como se fosse jogar o pedaço de madeira, o policial disparou duas vezes e Ricardo caiu.

Sob gritos de “assassinos” e “fascistas”, os policiais colocaram a vítima dentro de um carro da polícia, cerca de 15 minutos depois dos tiros. Ele foi levado para o Hospital das Clínicas, mas não resistiu.

No boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o policial militar afirma que “foi obrigado a efetuar os disparos de arma de fogo” para se defender.

Câmera de segurança registrou o momento em que o carroceiro foi baleado. No vídeo, é possível ver o momento em que o carroceiro desce a rua, na esquina da Mourato Coelho coma Navarro de Andrade. Ele volta e depois cai no chão, provavelmente no momento em que é atingido pelos tiros.

Ricardo Nascimento foi gerente de uma loja de artigos para casa na Rua Teodoro Sampaio. “Menino bom, sem problemas, tanto que chegou à gerência”, disse o dono da loja, Fernando Braga.

Ricardo ficou cerca de 3 anos na loja. Fátima Munhoz, que foi colega de trabalho na época, também elogiou o tempo de convívio. “Sempre feliz”, descreveu. Os colegas de trabalho contam que ele era reservado em relação à família e não comentava sobre parentes.

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