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Pressionado por Doria, Covas decide exonerar secretário de Educação de SP

Cury Neto é desafeto do governador e deverá ser trocado por ex-diretor do Sebrae

João Cury Neto e Bruno Covas. Foto: Reprodução/Portal Leia Notícias

Publicado às 9h35

Folha de SP

Durou menos de um semestre a troca na secretaria da Educação promovida por Bruno Covas (PSDB) em São Paulo. Pressionado pelo governador e correligionário João Doria, Covas decidiu tirar seu escolhido João Cury Neto do cargo para o qual ele foi nomeado em janeiro deste ano.

O secretário de Educação tornou-se desafeto de Doria em 2018, quando decidiu aceitar o convite do então governador Márcio França (PSB) para assumir o posto de secretário estadual de Educação. A movimentação foi entendida como apoio à campanha do pessebista contra Doria na campanha eleitoral.

Cury foi expulso do PSDB pelo então presidente estadual da sigla, Pedro Tobias, acusado de “irrefutável transgressão ética”.

Para o seu lugar o nome mais cotado é o do tucano Bruno Caetano, ex-diretor-superintendente do Sebrae-SP. Caetano fez sua trajetória com proximidade de uma ala tucana mais tradicional, formada por nomes como José Serra e Andrea Matarazzo (atualmente no PSD) (ver perfil abaixo).

Cury deve continuar na prefeitura em cargo menos influente, possivelmente no gabinete do prefeito.

A chegada de Cury Neto à prefeitura foi cercada de polêmica. Seu antecessor, Alexandre Schneider, conseguiu ampliar as vagas de creche em meio à crise econômica, liderou o desenvolvimento do currículo da cidade e manteve com a categoria docente a boa relação que já tinha quando ocupou o mesmo cargo na gestão Gilberto Kassab (PSD), entre 2006 e 2012. A saída de Schneider pegou os docentes, o secretariado e o próprio ex-prefeito Doria de surpresa.

A chegada de Cury, figura próxima de Covas, fez parte de um movimento de articulação política do prefeito, tendo em vista as eleições de 2020. Ao nomear Cury, acreditava que poderia conseguir o apoio de França e de seu partido, o PSB.

Reportagem da Folha mostrou que Cury envolveu-se em polêmicas relacionadas à compra de material pedagógico tanto no cargo de prefeito de Botucatu, no interior do estado, quanto como secretário estadual da Educação mais recentemente na gestão Márcio França.

De 2009 e 2016, Cury Neto foi prefeito de Botucatu. Na cidade, foi alvo de ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em 2013, devido a um contrato que assinou ainda em 2009 com uma empresa para implantar nova metodologia da disciplina de Ciências para alunos da rede municipal de ensino. O contrato teve vigência de dois anos e então foi suspenso pela prefeitura.

Como a contratação por R$ 11 milhões foi feita sem licitação, o Ministério Público moveu ação pública na qual solicitou ressarcimento aos cofres públicos por parte dos acusados —entre eles, Cury Neto. Pedia também que ele respondesse por improbidade administrativa e tivesse seus direitos políticos cassados. A ação foi julgada improcedente pela Justiça.

Em maio, foi condenado por improbidade administrativa em segunda instância e teve decretada a perda de direitos políticos por cinco anos. Aliados de Covas na prefeitura afirmam que essa condenação teria pesado mais para a saída de Cury do que as desavenças com Doria.

Em janeiro, ao assumir o governo de São Paulo, Doria afirmou que a gestão anterior não havia comprado  os kits escolares para o ano letivo de 2019.

Procurada, a gestão Covas confirma a saída de Cury, mas nega a influência do governador João Doria na decisão.

Em nota da assessoria de imprensa, Doria disse que “o prefeito Bruno Covas tem total autonomia para tomar todas as decisões que julgar convenientes.”

O SUBSTITUTO

Ex-deputado estadual, Bruno Caetano é mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Foi assessor especial na Prefeitura de São Paulo e secretário de Comunicação do governo de São Paulo durante as gestões de José Serra.

Em 2011, tornou-se diretor superintendente do Sebrae-SP, por indicação de Serra. Sua saída do cargo, em dezembro de 2018, foi polêmica.

Em setembro de 2018, quando Paulo Skaf estava de licença da Fiesp e do Sebrae para disputar a eleição,  Caetano respondeu a um pedido de esclarecimentos do Ministério Público sobre suspeitas de irregularidades em contratações na entidade.

Em 29 de outubro, dia seguinte às eleições, após Skaf reassumir o cargo de presidente da Fiesp, ele reuniu o conselho do Sebrae, que decidiu pelo afastamento de Bruno Caetano.

Depois do afastamento de Caetano, houve ao menos 15 demissões, principalmente de pessoas próximas a ele.

À época, Evandro Capano, seu advogado, disse que seu cliente era “vítima de perseguição política por ter informado ao Ministério Público do Estado de São Paulo possíveis irregularidades ocorridas na instituição que envolvem conselheiros desta gestão”.

Como deputado, suas plataformas estavam relacionadas ao setor privado, com prioridade à simplificação das leis voltadas à abertura e manutenção de empresas.

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