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Sem salas de aula disponíveis em quase metade dos polos, Univesp cancela vestibular pela 1ª vez

Levantamento aponta que, dos 239 polos fixos do estado vistoriados, 110 não têm uma sala de aula

Fachada da Univesp em Mogi das Cruzes, na Grande SP. Foto: Divulgação

Publicado às 8h 

G1 São Paulo

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), instituição de ensino superior pública mantida pelo governo de São Paulo, teve o seu vestibular cancelado pela primeira vez em cinco anos desde o início da aplicação da prova para a seleção dos alunos.

Realizado regularmente no mês de janeiro, a universidade adiou o processo seletivo somente para o meio deste ano após encontrar uma série de irregularidades na estrutura da instituição e falta de planejamento que impossibilitavam a entrada de novos alunos.

Dos 239 polos fixos do estado vistoriados, onde ocorrem as atividades presenciais exigidas para a conclusão do curso, 110 não têm uma sala de aula sequer, exigência obrigatória para a realização da graduação. O número representa 46% do total.

A Univesp permite que o aluno faça um curso de graduação gratuita a distância. No entanto, os cursos têm aulas complementares pela internet, TV digital, além de atividades presenciais nos polos de ensino.

O levantamento foi realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico entre 21 de maio e 13 de dezembro de 2018. O documento analisou 239 polos dos 330 totais da Univesp distribuídos por 287 municípios do estado.

Os 91 polos que não constam no relatório da vistoria foram criados após o segundo semestre de 2018, durante a gestão Márcio França (PSB), quando foi prometida uma grande expansão do número de vagas existentes.

A atual gestão, de João Doria (PSDB), reclama de falta de planejamento na expansão da rede. “A gente chegou aqui e tinha muita coisa para ser feita com pressa. As aulas começariam em um mês [25 de fevereiro] e não tinham pessoas para atender os alunos e todas as disciplinas organizadas. EAD [Ensino a Distância] é preciso gravar, preparar. Não tínhamos clara a estrutura e dimensionamento dos polos nem a quantidade de alunos”, afirmou Rodolfo Jardim de Azevedo, presidente da Univesp.

Esses polos estão instalados nos campi de instituições parceiras e em espaços físicos especificamente cedidos para esse fim por outras entidades públicas. Na capital paulista, por exemplo, os polos funcionam nos Centros de Educação Unificados (CEUs). Já nas cidades do interior, o convênio é feito diretamente com o município que normalmente cede espaços nas escolas públicas.

Além da falta de salas de aula, um levantamento apontou que apenas 17 polos (7%) possuem laboratórios de informática com os requisitos exigidos pela Univesp.

Outros 29 polos (12%) existentes não tinham sinal de internet. Em apenas 95 polos a velocidade da Internet era considerada satisfatória para realizar as funções mais básicas.

“Isso deveria ter sido planejado em setembro, não posso ter vestibular em um final de semana que já tem. Tenho o período de isenção de taxa, de inscrição, elaboração da prova e contratação da empresa para aplicar o exame”, disse o presidente da instituição.

De acordo com o levantamento, o número de vagas ofertadas foi superdimensionado, e em pelo menos 24 municípios o número de matriculados não alcançou o total de vagas disponíveis. “Um dos trabalhos é ter critério para dimensionar a população atendida”, afirmou Azevedo.

A antiga gestão, do ex-governador Márcio França (PSB), rebateu as críticas sobre falta de planejamento. Segundo Ricardo Bocalon, ex-secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, o atual governo optou por não fazer o vestibular da Univesp em 2019.

“Ele pode fazer em outros meses se quiser, pois se trata de curso de educação a distância. Não aconteceu no início do ano porque ele não fez a transição na Univesp, apesar de nossos insistentes pedidos. Só nomeou o presidente da universidade no final de janeiro deste ano. O que significa tirar a oportunidade de milhares de jovens no estado de São Paulo que sonham em fazer uma universidade pública de qualidade”, afirmou Bocalon em nota.

Atualmente, 31 mil alunos estudam na instituição. Para o próximo vestibular, em agosto deste ano, serão oferecidos cinco cursos de graduação: engenharia de produção, engenharia de computação, matemática, pedagogia e gestão pública.

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