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Trecho Norte do Rodoanel custou 50% acima do previsto, diz relatório

Dersa diz que vai contratar um estudo completo para apontar o quanto realmente falta para concluir a obra, que atualmente está parada. A retomada depende de laudo

Obras do trecho norte do Rodoanel. Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Publicado às 11h55

G1 São Paulo

O governo de São Paulo vai ter que refazer os cálculos para saber o quanto ainda tem que gastar para concluir as obras do Rodoanel Norte. A obra, que já custou 50% acima da previsão inicial, causou prejuízo aos cofres estaduais e transtornos a quem mora no trajeto, segundo um relatório da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a que o SP2 teve acesso.

Quanto falta para a conclusão da obra ainda depende de cálculo, mas já é possível saber quanto o Rodoanel Norte já custou.

Quando começou, em 2013, a obra foi orçada em R$ 4,3 bilhões. Seis anos depois, já foram gastos R$ 6,3 bilhões, segundo dados do governo de São Paulo.

O canteiro de obras do trecho Norte Rodoanel, em Guarulhos, está abandonado. As vigas estão a céu aberto e o material sofre com a corrosão. Os restos do que sobrou de casas derrubadas de uma ocupação irregular, na região do Jardim Peri, Zona Norte de São Paulo, estão largados.

As obras do trecho foram parcialmente suspensas no fim do ano passado e totalmente paralisadas em março deste ano. Em setembro de 2018, o então governador Márcio França (PSB) contratou a Fipe para avaliar as questões jurídicas, econômicas e de engenharia das obras.

Durante quatro meses, 15 técnicos analisaram contratos, planilhas e outros documentos e concluíram que houve falhas graves no sistema de medição da obra, que atesta se o serviço foi ou não executado.

Segundo o relatório, as medições mensais que foram feitas não refletiam a realidade da obra. E muitas das irregularidades não podem ser comprovadas por falta de documentação.

Chamou a atenção dos técnicos a quantidade de adiantamentos de serviços realizados pela Companhia de Desenvolvimento Rodoviário (Dersa) às empresas nos seis lotes. O que foi detectado pela quantidade de estornos, ou seja, devoluções de dinheiro em valores idênticos aos que foram pagos, dois ou três meses depois sem que o serviço fosse executado. Funcionou como um empréstimo a juro zero. Prática proibida no contrato.

O relatório aponta ainda divergências no total de pagamento das obras. Os técnicos da Fipe identificaram que foi pago um valor de R$ 230 milhões às contratadas.

A reportagem do SP2 apurou com fontes do atual governo que esse dinheiro foi pago por serviços que não foram realizados.

O documento aponta também outros problemas causados pela obra. No lote 6, uma escavação provocou um escorregamento que ameaça o muro da Escola Municipal Darcy Ribeiro, em Guarulhos.

Moradores falam que depois que as obras começaram a região passou a sofrer com enchentes. As casas ficam num morro bem ao lado da obra e o risco de deslizamento é visível.

Nas visitas os técnicos também identificaram pilares mal executados e que foram condenados, acúmulo de água nas pistas, e escavações mais profundas que foram feitas além do necessário.

Um túnel foi citado no relatório da Fipe. Segundo os técnicos ele possui duas infiltrações que precisam ser tratadas. Os técnicos dizem que será necessário a demolição do concreto para a instalação de nova manta de drenagem. Esse não é o maior problema desse trecho da obra, um paredão inteiro terá de ser retirado.

Sem Previsão

De acordo com o atual governo, neste momento, não é possível fazer uma previsão de quando o trecho Norte vai ficar pronto porque não dá para saber exatamente o quanto da obra está concluído e o quanto ainda falta terminar.

O atual governo vai aproveitar as informações do relatório da Fipe, mas a Dersa vai contratar nas próximas semanas o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para fazer um novo estudo. A retomada e conclusão do Rodoanel Norte vão depender desse laudo.

A assessoria do ex-governador Geraldo Alckmin informou que desconhece a existência de tal documento, nem a sua finalidade e muito menos o seu conteúdo. E que durante o governo de Alckmin, a Dersa adotou as mais rigorosas medidas e proveu as condições necessárias para que todos os recursos destinados à execução da obra fossem aplicados corretamente.

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