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Tucano Cauê Macris vence PSL e é eleito presidente da Assembleia de SP para nova legislatura

Com apoio do PT, parlamentar do PSDB conseguiu 70 dos 94 votos e mantém o partido, que ocupa a presidência desde 2007, no posto por mais dois anos

O deputado estadual Cauê Macris (PSDB) com o governador João Doria. Foto: Bruno Rocha/FotoArena/Estadão Conteúdo

Publicado às 9h50

G1 São Paulo

O deputado Cauê Macris (PSDB) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo na tarde desta sexta-feira (15) para a nova legislatura. O tucano conseguiu 70 dos 94 votos e mantém o PSDB, que ocupa a presidência desde 2007, no posto por mais dois anos. Os 94 deputados tomaram posse nesta sexta.

Ele disputou o comando da Alesp com a deputada Janaína Paschoal (PSL), que teve 16 votos. O deputado Daniel José (NOVO) teve quatro votos e a deputada Mônica Seixas, da Bancada Ativista (PSOL), também.

Em 2017, Macris foi eleito com 88 votos. É a segunda vez que um deputado é eleito consecutivamente para a presidência, mas em diferentes legislaturas. O mesmo aconteceu com Barros Munhoz, ex-tucano que migrou para o PSB.

“A disputa eleitoral termina aqui. Independente de ideologias, eu fui eleito para presidir o planalto paulista. somos uma legislatura plural”, disse Macris.

A mesa diretora, órgão que comanda as atividades administrativas e parlamentares da Alesp, é composta pelo presidente, primeiro e segundo secretários, todos eleitos em voto aberto. Além de Macris, foram eleitos , Ênio Tatto (PT) para o cargo de primeiro secretário e Milton Leite Filho (DEM), assume a função de segundo secretário.

Durante a eleição, houve bate-boca e empurra-empurra entre os deputados. Para os apoiadores de Janaína, Macris não podia ser eleito por dois mandatos consecutivos, já para a base do PSDB, é permitido desde que não seja na mesma legislatura. “É tapetão, o Barroz Munhoz já foi presidente reeleito e ninguém questionou”, afirmou o tucano.

Segundo parlamentares, o deputado Mamãe Falei (DEM) tirou o microfone do pedestal quando Beth Sahão (PT) falava e começou a briga.

“Alguém estava entrando para falar, o Mamãe Falei arrancou da mão, eu arranquei da mão dele, e falei: o que é isso”, disse Sahão.

Os deputados do PT Ênio Tatto e Emídio de Souza falaram que estavam votando em Macris contra o “ódio” e a “imbecilidade” nojenta. Já a deputada Janaína Paschoal falou que “não tem preço ver o PT brigando pelo PSDB”.

Em entrevista coletiva, Cauê Macris disse que foi atacado pelo PSL, que tentou “no tapetão” impedir sua candidatura, ao acionar a Justiça no final da tarde desta quinta-feira (14).

“Foi indeferido pelo desembargador o pedido, a nova condução é totalmente pertinente”.

“Neste momento, assistimos a uma das campanhas mais sujas e baixas da história da presidência da Assembleia Legislativa. Infelizmente, ao longo desse processo eleitoral, tentaram atingir à minha honra e a da minha família, mesmo sabendo que minhas contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

Após os ataques ao partido, que atualmente tem a maior bancada da Casa, com 15 deputados, Macris disse que tais desavenças não vão pautar sua atuação à frente da Mesa Diretora.

“Nós precisamos de equilíbrio neste momento histórico que nós estamos vivendo na Assembleia com uma disputa muito dura, do ponto de vista do radicalismos de ambos os lados, seja à direita, seja à esquerda”.

Macris também afirmou que o cenário passa a ser muito diferente dos anos anteriores. O embate político não será restrito às diferenças entre governo e oposição.

Cauê Macris (PSDB) foi reeleito presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

“Neste momento, além da discussão entre situação e oposição, vamos ter a briga ideológica, de duas correntes que pensam muito diferentes, e o meu papel é muito importante, porque preciso equilibrar essas duas correntes”.

Aliado de Doria, a quem apoiou durante o processo eleitoral, Macris defendeu a gestão do govenador, mas disse que irá atuar de forma independente.

“Eu acredito pessoalmente como militante político que o João Doria tem feito e fará um grande governo. Agora, como presidente da Assembleia Legislativa, o meu papel é garantir a independência do poder”.

Houve briga após eleição de Cauê Macris para a presidência da Alesp. Foto: Lívia Machado/G1 SP

Composição da nova mesa diretora da Alesp

Presidente

Cauê Macris – PSDB

Primeiro secretário

Enio Tato – PT

Segundo secretário

Milton Leite Filho – DEM

Primeiro vice-presidente

Gilmaci Santos – PRB

Segundo vice-presidente

Ricardo Madalena – PR

Terceiro vice-presidente

Cel. Telhada – PP

Macris tem 35 anos e se reelegeu deputado com 114.690 votos. Antes de assumir a presidência do último biênio, foi relator do orçamento do governo do estado nos exercícios de 2013 e 2014. É filho do deputado federal tucano Vanderlei Macris.

Como presidente da Alesp, lançou o aplicativo Fiscaliza Cidadão, que traz informações sobre o gasto mensal de cada deputado. A plataforma, porém, não tem informações sobre a presença dos parlamentares nas sessões plenárias ou o histórico de proposições.

Também deixa de fora dados importantes, como custos administrativos das secretarias e até da presidência. E não há nenhuma menção sobre os parlamentares que estão sendo investigados ou se foram condenados pela Justiça.

Denúncias

O PSL, partido de Janaína Paschoal, que disputou a presidência com Macris, acusa o deputado de irregularidades nas contas da campanha.

Segundo reportagem do jornal Estado de São Paulo, o posto de gasolina do qual o deputado é sócio quitou dívida de imóvel de luxo após campanha eleitoral. A empresa teria sido usada para compensar R$ 881 mil em cheques das campanhas de Cauê Macris e de seu pai, o deputado federal Vanderlei Macris.

Em 2017, Macris foi acusado de utilizar verba de gabinete para bancar apartamento a seus assessores desde 2011. À época, ele teria gasto mais de R$ 174 mil. A prática é proibida.

Na ocasião, a assessoria do deputado alegou que usava o apartamento para alojar assessores que moram no interior do estado, e que não via irregularidade.

Assinaturas

O início da 19ª legislatura também foi marcado pelo recolhimento de assinaturas para pedidos de CPIs e Frentes Parlamentares.

PT e PSL, que travaram embates verbais durante a votação da mesa diretora, trocaram assinaturas para abertura de Comissões que investiguem a Dersa e o operador do PSDB, Paulo Vieira de Souza.

A CPI da Dersa foi proposta pelo PT e a da do Paulo Vieira, pelo PSL. Segundo o deputado Gil Diniz, a ideia é unificar as propostas.

A deputada petista Beth Sahão também conseguiu número suficiente de assinaturas para a CPI do Feminicídio.

arte alesp — Foto: Arte/G1arte alesp — Foto: Arte/G1

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